A presidente do Tribunal Penal Internacional (TPI), Tomoko Akane, e um dos oficiais da procuradoria da corte de Haia, Abdoulaye Seye. Reprodução: TPI/LinkedIn...
A presidente do Tribunal Penal Internacional (TPI), Tomoko Akane, e um dos oficiais da procuradoria da corte de Haia, Abdoulaye Seye. Reprodução: TPI/LinkedIn @nchahri O Tribunal Penal Internacional (TPI) criticou duramente nesta quarta-feira (19) os Estados Unidos pelas sanções adotadas contra a presidente da Corte, que chamou de um "ataque flagrante" à independência do tribunal. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp "As sanções constituem um ataque flagrante à independência de uma instituição judicial imparcial", afirmou o tribunal, com sede em Haia, em um comunicado. "Medidas deste tipo, dirigidas contra juízes, procuradores e funcionários (...) minam o Estado de Direito", acrescentou a nota. Na terça-feira, o governo Trump anunciou sanções à presidente do TPI, Tomoko Akane, e a um procurador-adjunto da corte, como parte da campanha de Washington contra o tribunal, ao qual descreve como "um órgão corrupto e irremediavelmente politizado". A chefe da União Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou nesta quarta que apoia "firmemente" o TPI e os funcionários afetados pelas sanções norte-americanas, e acrescentou que o tribunal tem que ter a capacidade de agir de forma independente e sem pressões externas. O governo japonês também reagiu, classificando como "profundamente lamentáveis" as medidas adotadas por Washington. Em comunicado divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores, Tóquio reiterou seu apoio ao TPI e ao papel desempenhado pela corte na defesa do Estado de Direito internacional. "O Japão tem apoiado consistentemente o TPI em seus esforços para processar e punir os crimes mais graves que preocupam a comunidade internacional e para defender o Estado de Direito", afirmou a diplomacia japonesa. Agora no g1 🔍 O Tribunal Penal Internacional (TPI) é uma corte sediada em Haia, na Holanda, responsável por julgar pessoas acusadas de genocídio, crimes contra a humanidade, crimes de guerra e crime de agressão. Criado pelo Estatuto de Roma em 1998, a corte atua quando os países não conseguem ou não demonstram disposição para investigar e punir os suspeitos por conta própria. Diferentemente de outras cortes internacionais, o TPI julga indivíduos, e não Estados ou governos. As sanções de Washington têm sido interpretadas como uma resposta às investigações do TPI contra Israel, aliado dos Estados Unidos. Em 2024, o tribunal emitiu uma ordem de prisão contra o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, pela guerra em Gaza —o chefe do Hamas também foi condenado à época. As medidas adotadas por Washington proíbem os funcionários sancionados de entrar nos Estados Unidos e de efetuar transações no sistema financeiro americano. *Com APF e RFI